Projeto reúne 32 totens instalados em estações de trem, barcas e hospitais

Via Lilás

Com 32 totens instalados em estações de trem, barcas e hospitais, o programa Via Lilás, já tem mais de 67 mil acessos, desde março, quando foi lançado. A maioria das pessoas que procuram pelo serviço é do sexo feminino (73,5%) e tem entre 18 e 45 anos (65%). Mais de 60% se autodeclaram negras (que inclui pretas e pardas) e são moradoras da cidade do Rio de Janeiro (54,6%), enquanto as demais residem na Baixada Fluminense. A secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Cristina Cosentino, fala sobre os resultados do Via Lilás, política pública do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que pode ser replicada em outros países.

Qual o balanço do Via Lilás nesses sete meses?

Teresa Cosentino – Já instalamos 32 totens de um total de 92 previstos no projeto. Temos mais de 67 mil acessos desde que o programa foi lançado, grande parte em busca de informações sobre violência doméstica (47,1% das usuárias). Por causa da demanda, mudamos o desenho original, que era instalá-los só nas estações ferroviárias, e levamos para as estações das barcas, para o Hospital Geral de Nova Iguaçu e a Esquina da Cidadania, no mesmo município; o Hospital do Joca, em Belford Roxo; e o Hospital de Emergência, de Resende.

Como o programa funciona?

T.C – Ele foi estruturado em três vertentes: informação, empoderamento feminino e proteção às crianças. Os totens estão incluídos no primeiro eixo, com dados sobre saúde, benefícios sociais, direitos, violência doméstica e outros tipos de violência. Eles são um mecanismo de informação, não de denúncia. A navegação é anônima e, caso queira, a pessoa pode receber um SMS com as informações que buscou na tela, sem que seus dados sejam armazenados. Para nós também são gerados dados importantes sobre o público, que serão usados para definir políticas públicas destinadas às reais necessidades da população. No eixo do empoderamento, temos a Casa Lilás que estará pronta em 2016 e vai oferecer cursos, assessoria jurídica e psicológica e rodas de conversas. Será um espaço onde a mulher, principalmente aquela que é vítima de violência doméstica, vai receber apoio para se sentir forte financeiramente, para prover sua família, e emocionalmente, para geri- la sem a presença masculina. Na vertente de proteção às crianças, teremos creches instaladas ao longo da via férrea, em parceria com os municípios, facilitando o acesso das mulheres ao trabalho e melhorando a qualidade de vida.

Por que o Via Lilás foi apresentado na Reunião Anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Lima, no Peru (realizada de 10 a 12 de outubro)?

T.C – O Via Lilás nasceu de um empréstimo solicitado pelo Governo do Estado ao Banco Mundial para comprar vagões de trem, ou seja, investir em infraestrutura e transporte. Criamos um política de gênero aliada ao transporte em que todo o projeto está baseado na linha férrea: os totens informativos ficariam nas estações, a Casa Lilás e as creches serão erguidas às margens da linha férrea. Nossa experiência mostra que as agências de fomento nacionais ou internacionais podem embutir algumas vertentes sociais nos seus empréstimos. O Banco Mundial está muito satisfeito com nossos resultados e quer replicar em outros países que solicitam empréstimos. O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, e ministros de diversos países demonstraram interesse em fortalecer a política de desigualdade de gênero em todo o mundo. O Brasil, por meio do Rio de Janeiro, pode ser um exportador de tecnologia de política social.

Além do Via Lilás, que outros projetos têm sido desenvolvidos?

T.C – A área de Assistência Social está bastante estruturada, tanto no setor de benefícios, com os programas de transferência de renda, quanto em serviços. Queremos reforçar a área de Direitos Humanos com o Programa de Educação em Direitos Humanos, de forma que possamos construir uma sociedade onde as pessoas se entendam como iguais, independente de crença, gênero, cor da pele. O objetivo é ampliar a noção de direitos humanos nas áreas de Segurança, Saúde e Educação para construirmos uma sociedade melhor. Também queremos ampliar a Política para Pessoa com Deficiência, realizada em parceria com o RioSolidario. No próximo ano, o Brasil vai receber atletas e paratletas que virão competir e conhecer nossos equipamentos de lazer, que precisam estar acessíveis. Essa acessibilidade tem que permanecer para ser oferecida aos cidadãos do estado.

Texto: Thaise Constancio

Fotos: Salvador Scofano