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Oficinas beneficiam artesãs de comunidades do Rio de Janeiro (Crédito: Nelson Perez)

Apostando na capacitação da população fluminense, o RioSolidario promove deste o início de outubro uma série de oficinas de artesanato. Resultado de uma parceria com a Caçula, as aulas são realizadas duas vezes por semana, cada uma dedicada a uma técnica. Apesar de utilizarem materiais diferentes, algo comum a todas elas é o estímulo ao empreendedorismo.

Isabel Caninas teve seu primeiro contato com artesanato em 2009, quando fez curso de cartonagem. Mas o desejo de iniciar na atividade veio já durante a adolescência. Aos 13 anos, aprendeu sua primeira técnica, o crochê, com uma senhora que visitava sua casa e ensinava a técnica para ela e sua mãe.

Isabel participou das oficinas no Comunidade em Ação (Crédito: Julio César Fonseca)

Isabel participou das oficinas no Comunidade em Ação (Crédito: Júlio César Fonseca)

Hoje, mais de 35 anos depois, o aprendizado se converteu em empreendedorismo a partir da pintura em MDF. Ela faz caixinhas para presente forradas com papel de presente ou tecido, além de bloquinhos para anotação. “O fim do ano é uma época de grande saída desses produtos, que também são dados de presente em aniversários”, avalia a moça, que trabalha com a pintura em garrafas de vinho e champagne, completando o acabamento com decoração com pedrinhas, stencil e fitas de cetim.

Sem local próprio para divulgar, já que a produção inicialmente atende a amigos e conhecidos, Isabel mantém uma página nas redes sociais para dar prospecção a seu negócio. A inspiração para produzir, afirma, vem da observação. “Só de entrar em uma loja e ver algum objeto, as ideias já surgem”.

E é sua em casa, no Engenho Novo, que ela coloca essas ideias em prática, no quartinho que estabeleceu como seu ateliê. “É o meu refúgio, onde viajo criando. Me traz uma energia muito boa”, conta Isabel, que saiu de uma depressão com ajuda do artesanato. “Me ajudou a fazer amizades em um momento em que eu precisava muito. É muito bom se sentir parte de um grupo”.

Depois de concluir o curso de Decoração de Arranjos Florais no Comunidade em Ação de junho a julho, ela voltou ao espaço do projeto na última semana para a Oficina de Decoupage, uma das aulas da série em parceria entre o RioSolidario e a Caçula.

Andréa pratica diferentes técnicas de artesanato (Crédito: Júlio César Fonseca)

Andréa pratica diferentes técnicas de artesanato (Crédito: Júlio César Fonseca)

Para Andréa Paiva, de 40 anos, o artesanato foi, a princípio, um passatempo. Enquanto sua filha estava na escola, Começou na época em que sua filha foi para a escola, o tempo em que a filha estava na aula, passava nas aulas de artesanato. Mas logo o hobby ganhou ares de atividade comercial para a moça, que, assim como Isabel, compareceu às quatro aulas no projeto que atende à comunidade do Morro São João e arredores.

“Aproveitando que não tinha como trabalhar, com filha pequena, juntei o aprendizado do artesanato com o de vendas”, conta ela, que já pratica artesanato há 15 anos por meio de técnicas como ponto cruz, crochê, pintura em MDF. Andréa destaca a importância dessa atividade para a composição da renda familiar, mas acredita que uma valorização maior é necessária para que um público cada vez maior conheça as técnicas.

Depois de quatro aulas no Comunidade em Ação, as oficinas continuam em novembro na Clínica da Família Padre Velloso, atendendo à comunidade Santa Marta em Botafogo, e na Associação dos Moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa.