Transportes estão sendo adaptados para Jogos Olímpicos. Em Niterói, coordenadoria quer tornar município modelo

Rio Consciente

Além de dar mais visibilidade aos atletas e às modalidades praticadas, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, serão uma grande oportunidade de chamar a atenção da sociedade e dos gestores públicos para a acessibilidade. Quando o assunto é mobilidade urbana, o Estado ainda enfrenta o desafio de se adequar aos padrões de acessibilidade que atendam não só as pessoas com deficiência, como também os idosos, já que quase um milhão de fluminenses têm idade acima dos 70 anos.

Para a deputada estadual Tânia Rodrigues, já houve muitos avanços, como o aumento da frota de ônibus com elevadores, mais rampas nas ruas e prédios, elevadores em estações de metrô, entre outros. Mas, segundo ela, ainda há muito para ser feito.

– O município do Rio ainda precisa melhorar. Temos que lutar, nesse ano que falta para as Olimpíadas e Paralimpíadas, para que, as pessoas consigam caminhar no Centro da cidade, nos locais próximos aos hotéis e aos estádios. Buscamos autonomia para sermos capazes de fazer as coisas por nós mesmos – destaca a deputada.

Tânia Rodrigues cita a cidade de Sidney, na Austrália, como exemplo positivo de acessibilidade desde os Jogos Olímpicos e Paralímpicos realizados em 2000. Ela conta que a cidade possui um projeto integrado para os deficientes, com sinais sonoros, rampas em todas as esquinas e calçadas adaptadas para o uso da cadeira de rodas.

Para facilitar o embarque de passageiros em cadeiras de rodas ou com mobilidade reduzida, a Secretaria de Transportes projetou um novo modelo de plataforma elevatória para ônibus urbanos. O equipamento conta com tecnologia nacional e capacidade para 250 quilos. Ainda em fase de testes, a nova plataforma tem menor tempo de operação em relação aos modelos convencionais: aproximadamente 2,5 minutos.

Além disso, para os Jogos Olímpicos, a Supervia está reformando seis estações de trem. São R$ 250 milhões investidos em maior capacidade, conforto, acessibilidade e comodidade aos usuários.

– Nós temos muita deficiência no estado, mas o nosso objetivo é mudar esta realidade, através de políticas públicas e trabalho sério. Temos uma oportunidade grande de melhorar os nossos transportes com a acessibilidade – garante o secretário de Transportes, Carlos Roberto Osorio.

A cidade de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, também tem avançado na acessibilidade, desde que criou a Coordenadoria Municipal de Acessibilidade. Em parceria com outras secretarias, a iniciativa busca transformar Niterói no município-modelo do estado.

– Trabalhamos muito com a questão das calçadas, com rampas, e sem buracos e obstruções para cegos e cadeirantes. Mas também fazemos acessos aos prédios públicos. Em breve, a Praia de Icaraí será acessível – declara a arquiteta Fernanda Boechat, que integra a Coordenadoria.

Espaços adaptados

Corredores largos, espaços com poucos móveis, portas com no mínimo 90 centímetros e interruptores em altura adequada estão entre as indicações apontadas pela cartilha do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), para adaptação de espaços às pessoas com deficiência.

Segundo Fernanda Boechat, o material para essas mudanças é muito específico, mas não tão caro como muita gente pensa.

– Tudo é questão de planejamento. Por exemplo, se tudo já for pensado com piso tátil, não sai tão caro. Fazer adaptações no que está pronto pode custar mais, mas é fundamental. A pessoa precisa ter mobilidade dentro da sua casa, isso traz mais liberdade. Em casas, é possível adaptar os espaços, de acordo com o tipo de deficiência e as necessidades do morador – pondera ela.

Rio Consciente: De olho nas Paralimpíadas 2016, Rio investe em autonomia para a pessoa com deficiência

Texto: Gabriela Murno

Fotos: Bruno Itan e Divulgação