Empresas, como a Nova Cedae, adotam o Aprendiz Legal Para Todos com oportunidades e qualificação

Cedae - Deficientes

O mercado de trabalho pode ser a grande porta de entrada para a inclusão e autonomia da pessoa com deficiência. Algumas políticas públicas já adotadas buscam não só a inserção, mas também a qualificação dessa mão de obra. Para jovens entre 14 e 24 anos, a oportunidade está no programa Aprendiz Legal Para Todos, em que empresas contratam pessoas com deficiência como jovens aprendizes.

A Nova Cedae, por exemplo, receberá daqui a um mês, pela primeira vez, depois de um estágio no Centro de Integração Empesa-Escola (CIEE-RJ), quatro jovens com deficiência intelectual. Eles foram selecionados pelo Banco de Jovens do RioSolidario. Os novos aprendizes atuarão no controle do programa de substituição de redes da companhia, recebendo dados e os lançando no sistema, um trabalho de extrema importância, como garante o diretor de Distribuição e Comercialização da Região Metropolitana da Cedae, Marcello Motta, que será o gestor dos quatro jovens.

– A Cedae já atua na reinserção no mercado de trabalho. Temos trabalhos com presos, para reinserir essa mão de obra no mercado, e também deficientes físicos, maior parte da força de atendimento nas nossas agências. Para completar, agora vamos ter o trabalho com os deficientes intelectuais. Estamos ansiosos para recebê-los – ressalta Marcello Motta.

O objetivo é acompanhar de perto os jovens durante os 11 meses do programa, para que o trabalho com pessoas com deficiência intelectual, considerado piloto pela Nova Cedae, possa ser replicado em outras áreas, como na retaguarda do atendimento das agências da companhia.

– Tenho certeza que vai ser um piloto sensacional e que trará desdobramentos para outras áreas da companhia. A equipe que já atua no monitoramento do programa de substituição de redes vai acompanhar de perto e recebe-los com muito carinho – garante o diretor da Cedae.

Para os jovens, o novo emprego vai além da inserção no mercado, dará mais autonomia e será uma oportunidade de aprendizado. Cada participante do programa cumpre uma jornada de trabalho de seis horas diárias. A cada quatro dias da semana de atividades práticas, o jovem tem um dia dedicado ao CIEE-RJ para atividades teóricas. Pela jornada mensal, recebem salário, auxílio refeição, vale-transporte, FGTS, férias, décimo terceiro e contagem de tempo de serviço para o INSS, além de seguro de vida.

– Com esse dinheiro, posso ajudar em casa, mas também ter independência de comprar as minhas próprias coisas – ressaltou Bruno Luiz Gerloff, de 16 anos, que tem hiperatividade e foi um dos selecionados pelo RioSolidario.

Outro aprovado, Marcos Vinícius Morais, de 23 anos, que tem retardo mental leve, ressalta o aprendizado no dia a dia do trabalho, mas também nas horas que passarão no CIEE-RJ.

Profissionalização

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ, foi a primeira universidade do Brasil a adotar o sistema de cotas. Hoje, todas as nossas universidades públicas estaduais reservam cinco por cento das suas vagas para pessoas com deficiência. Além de oferecer os cursos, as universidades devem adaptar e preparar todas as suas unidades com acessibilidade para receber os alunos com deficiência. Uma lei sancionada, em junho, pelo Governo do Rio também prevê que os órgãos e entidades das administrações direta e indireta do estado devem destinar cinco por cento das vagas de estágio para pessoas com deficiência.

Já o Governo Federal conta com um programa de ensino técnico voltado especialmente para as pessoas com deficiência: o Pronatec Viver sem Limites. Com o programa, os deficientes, acima de 16 anos, têm prioridade nas matrículas do Bolsa-Formação, que oferece, além dos cursos gratuitos, alimentação, transporte e todo material escolar necessário.

No Brasil, a Lei de Cotas do Governo Federal obrigava empresas com cem ou mais empregados a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência. Com a sanção, no início de julho, do chamado Estatuto da Pessoa com Deficiência, pela presidente Dilma Rousseff, a obrigação foi reiterada.

A Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência será um dos temas debatidos no II Encontro Autonomia para Pessoa com Deficiência, que acontece no dia 24 de setembro, às 9h, no auditório da Firjan, no Centro do Rio. O evento, organizado pelo RioSolidario, reunirá representantes do Governo Federal, secretários estaduais e municipais, e empresas e instituições para discutir políticas públicas que defendam as necessidades e direitos das pessoas com deficiência.

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Texto: Gabriela Murno

Fotos: Bruno Itan