Comitê Organizador dos Jogos já conta com mais de 100 colaboradores com algum tipo de deficiência

Rio2016

Estão abertos os processos seletivos para 267 vagas de trabalho no Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016. Todas as oportunidades são elegíveis para pessoas com deficiência. Atualmente, mais de 100 colaboradores, que já fazem parte da equipe, possuem algum tipo de deficiência, incluindo sete deficientes intelectuais e cerca de 20 atletas de esportes adaptados, que conciliam o emprego com os treinos.

– Todo e qualquer cargo pode ser ocupado por uma pessoa com deficiência. Ela participa da seleção como qualquer outro candidato. Sempre queremos estar além da cota estabelecida por lei – explica o diretor de RH do Comitê Rio 2016, Henrique Gonzalez.

A jornalista Patrícia Côrtes realizou o sonho de trabalhar com o maior evento esportivo do planeta. Ela, que sofre de displasia e paralisia dos membros inferiores, trabalha como analista de mídias sociais no Comitê.

– A acessibilidade da sede e a boa recepção dos colegas de trabalho foram muito importantes para que eu me sentisse incluída. Já tinha trabalhado antes, mas nem os espaços e nem as pessoas estavam preparados para me receber – diz Patrícia, de apenas 23 anos.

Outro exemplo de superação, o engenheiro civil Augusto Fernandes trabalha como especialista em acessibilidade no Rio 2016. Ele é responsável pela revisão dos projetos para checar se atendem aos requisitos de acessibilidade dos diferentes tipos de deficiência.

– É importante pensar em todas as edificações com foco na acessibilidade universal. Para isso, é preciso pensar nas pessoas com deficiência física, visual, auditiva e também em pessoas idosas, gestantes, obesos, sem distinção – fala Augusto, que ficou paraplégico após sofrer um acidente em um treino de judô.

Aos 42 anos, o engenheiro ressalta a importância da inclusão também no ambiente de trabalho:

– Essa é a maior empresa que já vi em termos de inclusão e diversidade. Há deficientes em diversas áreas – completa ele, que trabalha ao lado do arquiteto e deficiente auditivo Carlos Leitão, analista de acessibilidade.

Segundo o diretor de RH do Comitê Rio 2016, Henrique Gonzalez, treinamentos de diversidade e inclusão dão a todos os colaboradores uma visão geral de como lidar com as pessoas com deficiência e suas diferenças. Ele diz ainda que, no banco de mais de 70 mil voluntários para os Jogos, há 1,5 mil pessoas com algum tipo de deficiência.

Programas

Além dos funcionários que ingressaram no quadro do Comitê Rio 2016 por meio do processo geral de contratação, a instituição conta também com programas que possibilitam ainda mais a inclusão de pessoas com deficiência. Um deles é o programa Incluir, que já levou sete profissionais com deficiências intelectuais para trabalharem na empresa.

Outro programa, o Atletas PCD, foi criado para que atletas com deficiência, sejam amadores ou profissionais, possam ser inseridos no ambiente corporativo. Eles trabalham meio expediente em áreas administrativas e podem treinar o restante do dia. Hoje, mais de 20 esportistas estão no Rio 2016.

Paratleta de natação, Paulo Menezes trabalha no setor de chegadas e partidas do Comitê. É ele quem faz o primeiro contato com quem vai participar dos Jogos.

– É uma responsabilidade grande cuidar dos transportes da Família Olímpica. Meu trabalho é ótimo, pois me possibilita continuar treinando e, como é um ambiente internacional, posso ainda desenvolver o meu inglês – diz Paulo, que já conquistou uma prata e um bronze na competição Rei e Rainha do Mar.

Saiba mais sobre as vagas:

http://www.rio2016.com/noticias/jogos-rio-2016-geram-cerca-de-90-mil-oportunidades-de-trabalho

Texto: Gabriela Murno

Fotos: Bruno Itan