A ONG, parceira do RioSolidario, beneficia jovens de comunidades

AçãoSocialpelaMúsica_ChapéuMangueira

Lideranças da comunidade Chapéu-Mangueira, no Leme, vão participar da coordenação do núcleo da Ação Social pela Música do Brasil (ASMB), instalado na localidade da Zona Sul. A organização não-governamental, que ensina música clássica a crianças e adolescentes, oficializou o ato na sexta-feira (28/10).

– A estratégia da ASMB com os núcleos dentro das comunidades com UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) é investir no empoderamento das pessoas beneficiadas pelo projeto. Entendemos e acreditamos que o desenvolvimento da sustentabilidade dos nossos núcleos só será definitivo com consciência política e social. Temos realizado um trabalho de formação para que moradores das comunidades assumam a coordenação das unidades, tendo uma voz mais ativa. Por isso, essa estratégia é fundamental para a evolução do nosso trabalho. Uma comunidade que trabalha para atingir objetivos comuns adquire força e consciência de sua capacidade e poder coletivo para enfrentar e resolver problemas – disse o coordenador pedagógico da ASMB, Julio César Pereira de Camargo.

O Ação Social pela Música do Brasil começou a atuar na cidade do Rio em 2009, quando se instalou no Santa Marta, em salas da UPP da comunidade de Botafogo, na Zona Sul. Com quatro núcleos (Alemão, Macacos, Cidade de Deus e Chapéu-Mangueira), além de um polo na Rocinha, a ONG, que conta com o apoio institucional do Riosolidario e da Secretaria de Segurança, já transformou a vida de milhares de crianças e jovens. Somente na cidade do Rio, 850 alunos são beneficiados. A ASMB também tem núcleos no interior e em outros estados do Brasil.

– A UPP nos permitiu que pudéssemos entrar nas comunidades com mais tranquilidade. Hoje, temos um trabalho que vem se consolidando. Nossa missão de educar pela música está sendo encaminhada. E isto é fruto de um somatório de esforços. Estamos muitos felizes – disse a diretora da Ação Social, Fiorella Solares.

Aluno desde os 15 anos, David dos Santos Nascimento, de 20 anos, descobriu sua vocação nas aulas do projeto. Morador do Chapéu-Mangueira, ele já foi monitor e professor. O rapaz, que vai prestar vestibular para música, foi convidado a ocupar o cargo de diretor musical do núcleo.

– Estou feliz e orgulhoso de poder participar deste projeto. Ele transformou a minha vida. Aqui descobri o contrabaixo acústico. Quando menor toquei bateria na igreja. Meu pai é ritmista de escola de samba, nunca havia pensando em tocar um instrumento de corda. O projeto me deu uma série de oportunidades – contou David.

De inspetor a coordenador-técnico

A capacidade de comunicação e articulação dentro da comunidade rendeu ao morador do Chapéu-Mangueira André Luiz Campos da Silva, de 43 anos, o convite para ser coordenador-técnico do núcleo. Inspetor do projeto há quatro anos, ele tem realizado um trabalho importante junto às famílias e à Associação de Moradores.

– Convoquei e divulguei o projeto para muita gente. Aos poucos, ele foi tomando força e hoje tem chamado a atenção pela qualidade. Ele busca tirar as crianças e jovens do ócio, trazendo oportunidades – ressaltou o agente comunitário.

Para o presidente da Associação de Moradores Luis Alberto de Jesus, a iniciativa é fundamental para aproximar a comunidade.

– Este evento é importante porque coloca a comunidade mais próxima do projeto social – avaliou.

Texto: Julia de Brito

Fotos: Marcelo Horn