Aulas são realizadas no Palácio Laranjeiras com peças do próprio acervo

 

RJ 24-04-2018. Oficina de Restauro no Palácio Larangeiras. Fotógrafo: André Gomes de Melo

 

 No fim da década de 1960, um dos dois vasos de mármore de Carrara que faziam parte da ornamentação da entrada do imponente Palácio Laranjeiras se quebrou. Parte dos cacos desapareceu. O outro passou mais de 50 anos abandonado num depósito. Mas, em breve, as peças voltarão a ser expostas, enfeitando novamente o lugar em que foram colocadas no início do século XX.

Os vasos ficarão diante de um par de leões. Em tamanho natural, eles também foram feitos em mármore de Carrara e se impõem logo na entrada, dando guarda à residência oficial dos governadores. A peça que havia se espatifado foi recriada graças a jovens moradores de comunidades carentes. Eles participam da primeira oficina de restauro oferecida pelo RioSolidario, a obra social do estado que é presidida pela primeira-dama Maria Lucia Horta Jardim.

Há dois meses, a arte do restauro é ensinada por funcionárias da Secretaria da Casa Civil duas arquitetas e quatro assistentes – no amplo subsolo do Palácio Laranjeiras, onde, no passado, teria funcionado um alojamento para cavalos. Além de dar aulas, o grupo está encarregado de recuperar o mobiliário e os chamados elementos pétreos (feitos em pedra), que não foram contemplados na recém-concluída reforma do prédio em formato de “Y” erguido entre 1910 e 1913 para ser moradia da família do excêntrico empresário Eduardo Guinle. Em 1947, o imóvel foi comprado pela União para ser a residência oficial da Presidência da República e, em 1975, com a fusão do Rio de Janeiro e da Guanabana, acabou sendo doado ao governo estadual.

Os 40 jovens, de 17 a 27 anos, que fazem o curso de restauro, estão no seleto grupo que hoje tem acesso ao palácio. Divididos em duas turmas, eles começaram a ter aulas há dois meses. Morador do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, Wendel Souza dos Santos, de 22 anos, está aprendendo a recuperar peças de madeira e já vislumbra outras maneiras de aproveitar os ensinamentos:

– No prédio em que meu padastro trabalha, jogam móveis velhos fora. Falei para ele “pega tudo, eu recupero e a gente revende’!

Texto: Selma Schmidt/ O Globo

Fotógrafo: André Gomes de Melo

Palacio Laranjeiras 01