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O dia 08 de março é considerado o Dia Internacional da Mulher. Para a Casa Abrigo Lar da Mulher, no entanto, a data tem valor ainda mais especial. A instituição que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica e traz a elas uma nova perspectiva de vida completou 12 anos nesta quinta-feira (07), exatamente na véspera de um dia tão simbólico para esse trabalho.

“Março é um mês muito significativo para nós. É um período duplamente comemorativo para esse espaço que se propõe ser um local seguro que essa mulher tem para acolhimento nesse momento de preservação da vida”, afirma a diretora Sueli Ferreira.

Impressiona o número de atendimentos nessa longa jornada: são 2.164 pessoas atendidas entre mulheres e crianças – na maioria das vezes, quando chega à Casa Abrigo, a mulher leva seus filhos, afastando-se do convívio com o agressor.

“Para os profissionais da casa, é um prazer enorme conduzir esse trabalho. É muito gratificante colaborar com o fortalecimento dessas mulheres, a maioria das quais chegam aqui sem consciência da dimensão da rede de proteção à mulher. Quando encontram aqui um grupo com histórias parecidas com a sua e uma estrutura pronta para lhe fortalecer, ganham segurança”, completa Sueli.

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Marta e Sueli lideraram o evento que trouxe às mulheres da Casa Abrigo uma consciência sobre o dia 08 de março (Crédito: Arquivo Casa Abrigo)

Vivenciando o dia da mulher

Durante a manhã, as residentes assistiram a um vídeo que abordava o contexto histórico que originou a data, agregando informação e conhecimento sobre a luta das mulheres por igualdade de direitos. O material impresso  intitulado “Meu nome é mulher”, entregue na sequência durante debate sobre o conteúdo apresentado, ressaltava a força e a coragem necessárias a elas, desconstruindo a fragilidade equivocadamente associada à figura feminina.

“Aqui nós temos a missão audaciosa de transformar essa mulher em protagonista da própria história, fazendo-a entender que ela não perde a meiguice e a sensibilidade por ela ter força e coragem”, lembra a assistente social Marta Pereira, que trabalha na Casa Abrigo desde a inauguração – assim como o auxiliar de manutenção Moisés – e conduz os debates junto ao grupo.

A parte da tarde foi reservada para a apresentação do filme “Terra Fria”, que retrata o assédio e a opressão à mulher, seguida de roda de conversa sobre o filme e entrega de livro editado a partir de um evento realizado na Central do Brasil, utilizado pela equipe da casa em seu trabalho junto às residentes.

Para Marta, que já trabalha há 19 anos com mulheres vitimas de violência doméstica, o dia 08 de março para a equipe da instituição está muito além das flores.

“Esse é um dia de marco das lutas, que transformamos em um dia informativo, de debates e conhecimento. Elas não conhecem a história dessa data, então trazemos em uma discussão próxima da linguagem delas, mostrando que é um tema que perpassa o mundo todo e que elas não são as primeiras e nem vão ser as últimas a passar por isso.”