Matheus ajudou no backstage da Arena Supernova (Crédito: Paulo Vitor)

Trabalho no backstage do Palco Supernova contribuiu para a formação de Matheus como profissional de eventos (Crédito: Paulo Vitor)

Por Flávio Amaral

Sete e meia da noite de domingo, 06 de outubro de 2019. Matheus Gonçalves terminava seu expediente no backstage (bastidores) do palco Supenova do Rock in Rio e partia para seu último dia de mergulho no aprendizado pelos diversos ambientes da Cidade do Rock. Mas a chance não caiu do céu. O jovem promotor de eventos participou de um processo seletivo no RioSolidario, foi aprovado e conquistou uma das vagas de trabalho como staff de apoio e assistente de produção e, assim como outras 52 pessoas, agregou a seu currículo uma realização do porte de um dos maiores festivais do mundo.

Durante os sete dias de evento ele esteve em contato direto com os artistas que protagonizaram os cinco shows diários do Supernova, espaço que proporcionou a 35 bandas e artistas em ascensão uma oportunidade comparável àquela que o próprio Matheus teve ao ser selecionado para a vaga. Ele ficou responsável pela mediação entre os artistas e seus produtores e a organização do evento e pela logística do que era necessário para os shows acontecerem.

“Fazíamos o contato com os produtores das bandas para indicar os horários de chegada e saída delas, auxiliávamos na chegada ao camarim e informávamos os horários de permanência no camarim e passagem de som. Além disso, fazíamos contato com os técnicos de iluminação e som para eventuais pedidos dos artistas a esse respeito e organizávamos os fãs e jornalistas para que os artistas atenderem. Aprendi muito sobre logística e sobre o trabalho na sala da produção com a responsável do palco”, explica.

Quando o trabalho termina, Matheus se aventura por outros ambientes da Cidade do Rock (Crédito: Paulo Vitor)

Quando o trabalho termina, Matheus se aventura por outros ambientes da Cidade do Rock (Crédito: Paulo Vitor)

Aprendendo para multiplicar

O fim de seu horário de trabalho não significava diversão. Era hora de percorrer a Cidade do Rock buscando o acesso a bastidores de outros palcos e arenas, conhecendo gente nova e sendo incluído em grupos que compartilhavam o conhecimento adquirido. Afinal, ele negociou a troca de horário com a supervisão de seu setor por um motivo mais que plausível.

Durante o processo seletivo, ele vislumbrava sua participação no Rock in Rio como uma oportunidade de aprender diretamente com quem produz um dos grandes festivais de música do mundo e se tornar um multiplicador de conhecimento em sua comunidade. Na ideia de Matheus, levar esse aprendizado para os shows de covers que ajuda a promover na Arena Dicró, na Penha, e em boates pelo Rio de Janeiro representaria um aperfeiçoamento das produções de que participa. “Hoje me sinto feliz e capaz de aplicar essa experiência nos eventos com meus colegas”, avalia.

Matheus e companheiros de dança com cover de Pabllo Vittar (Crédito: Arquivo pessoal)

O jovem dança e atua na produção de shows de covers como o de Pabllo Vittar (Crédito: Arquivo pessoal)

Foi a paixão pela dança que levou o jovem, ainda em 2013, a oferecer ajuda em um evento ao qual compareceu. Seis anos depois, além de sua participação no palco, ele também atua nos bastidores para aproximar do público a “versão brasileira” de nomes internacionais como Beyoncé, Michael Jackson, Jennifer Lopez e Britney Spears, mas também “pratas da casa”, como Anitta, Ludmilla, Iza, Pabllo Vittar e Nego do Borel. “Era difícil conciliar dança, ensaio, produção e divulgação, além de atender aos artistas. Mas o cansaço valeu a pena”, reconhece o menino.

E valeu a pena mesmo, afinal a experiência que Matheus comparou a um “grande workshop de produção de eventos” pode funcionar para ele como o Palco Supernova é para artistas em início de carreira. Em futuras edições do festival, bandas com as quais o menino teve contato podem vir a garantir um espaço no palco Mundo. Da mesma forma, é possível que esses artistas o reencontrem trabalhando na produção de um outro grande evento.

O retorno para ele fica claro na mensagem que ele deixa para seus colegas de produção de eventos em sua comunidade. “Foi uma experiência incrível, surreal. Então sonhe, sonhe alto e se sinta capaz , porque você é. Não é porque você veio da favela que você é inferior a ninguém. Você é sim capaz de aprender e aplicar isso na rua realidade, do seu jeito e no seu tempo. Viva seus sonhos”, finaliza.