Yara e sua equipe de trabalho na Nave: experiência para ficar na memória (Crédito: Paulo Vitor)

Yara e sua equipe de trabalho na Nave ao final de mais um espetáculo: experiência para ficar na memória (Crédito: Paulo Vitor)

Por Flávio Amaral

Em meio a diversos palcos e brinquedos que compõem a experiência vivida pelo público na Cidade do Rock, chama a atenção uma atração que foge à regra dos shows que são o carro-chefe do Rock in Rio. Em 15 minutos de imersão, o espaço Nave proporciona ao público uma experiência lúdica e sensorial, utilizando recursos como realidade virtual, cenografias físicas e virtuais, projeções e efeitos sonoros e olfativos. Tudo isso sem deixar de lado a música, matéria-prima essencial a um dos maiores festivais do mundo.

As catracas são liberadas e o público chega para mais uma das 14 sessões diárias que fazem parte da programação do ambiente. Yara Sales da Silva, de 23 anos, orienta os espectadores que chegam para mais uma viagem. Utilizando elementos históricos para retratar a evolução da vida, esse passeio nos faz pensar sobre o futuro e as conexões – com a natureza e as pessoas – e transformações necessárias para que esse futuro seja mais positivo para a humanidade.

Se engana quem pensa que todo esse impacto sensorial vale apenas para o público. “Foi uma surpresa para mim. Fiquei muito impactada porque mostra a evolução desde o início de tudo, passando pelo que somos hoje e chegando até o que podemos ser”, conta a jovem, depois do primeiro final de semana de trabalho.

Luzes e efeitos se combinam aos sons e experiência táteis e olfativas na Nave: imersão sensorial no Rock in Rio (Crédito: Paulo Vitor)

Luzes e efeitos se combinam aos sons e experiência táteis e olfativas na Nave: imersão sensorial no Rock in Rio (Crédito: Paulo Vitor)

Projetando o futuro

Não é difícil associar o nome do espetáculo “Nave – Nosso Futuro é Agora” à presença dela no Rock in Rio. Afinal, Futuro Agora é o nome do programa do RioSolidario responsável por buscar oportunidades de capacitação e inserção no mercado de trabalho. Uma delas é exatamente esta, que Yara e outras 52 pessoas conquistaram para enriquecer sua experiência profissional – e de vida – com uma produção dessa magnitude.

A menina despertou para o sonho de trabalhar com eventos durante a faculdade de Hotelaria, concluída em dezembro de 2018. Apesar de ainda não ter conquistado uma chance na área, ela já sabe com que segmento gostaria de atuar quando essa oportunidade chegar. “O mercado está difícil na minha área, principalmente para quem não tem muita experiência, mas o trabalho no Rock in Rio vai acrescentar muito à minha bagagem profissional, vai ser o ‘boom’ que meu currículo precisava para buscar voos mais altos. Está sendo incrível esse contato com um público formado por pessoas de todas as idades. Estou aprendendo muito.”

Yara comemora a oportunidade de trabalho no Rock in Rio: 'experiência incrível' (Crédito: Paulo Vitor)

Yara comemora a oportunidade de trabalho no Rock in Rio: ‘experiência incrível’ (Crédito: Paulo Vitor)

Assim que o público adentra a Nave, o cronômetro dispara. São cinco minutos para reconhecer o espaço, tirar fotos e, no caso das crianças, pular nas camas elásticas. Quando a apresentação começa, porém, o foco dos espectadores é total. Esse mesmo foco vale também para o staff de apoio na hora de evacuar a arena.

“Cuidamos para que o espaço seja esvaziado o mais rápido possível, garantindo a dinâmica para a entrada do grupo seguinte. Isso exige de nós uma voz ativa para orientação do público. Eventualmente pedem tempo para tirar mais fotos, mas temos de avaliar se é possível”, ressalta a jovem.

Observadora, Yara percebe que, além das palmas, a reflexão também marca os rostos em alguns grupos ao final de cada exibição, afinal ela percebe que algumas pessoas “entram na Nave apenas. As reações mais introspectivas têm motivo plausível, que a menina reconhece em sua visão sobre a mensagem do espetáculo: “A importância de as pessoas se conectarem mais, terem mais empatia umas com as outras. Estamos vivendo momentos de ódio e intolerância. Temos de nos unir, afinal todos vivemos no mesmo planeta. Se não cuidarmos de onde vivemos, todos saímos perdendo juntos.”

Atenção total: espetáculo leva público à reflexão sobre o futuro da humanidade (Crédito: Paulo Vitor)

Atenção total: espetáculo leva público à reflexão sobre o futuro da humanidade (Crédito: Paulo Vitor)