Lei Seca, Faetec e Cedae empregam pessoas com deficiência. Favo de Mel oferece curso de auxiliar de cozinha

BethCanejo_FotoFelipeCorrêa

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio de órgãos e programas, tem investido em projetos de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Agente da Operação Lei Seca há sete anos, o cadeirante Márcio Alcântara aumentou sua qualidade de vida e melhorou sua condição financeira ao começar a atividade junto a outros colegas.

Ele é um dos cadeirantes da ação permanente, iniciada em 2009. O grupo distribui folhetos educativos e adesivos em bares e restaurantes, além de contar sua história em palestras realizadas em escolas municipais e estaduais, autoescolas e universidades.

No total, 30 cadeirantes atuam nas ações de conscientização da operação, da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.

– Aos 21 anos sofri um acidente e fiquei tetraplégico. Hoje, tenho um trabalho que pode ajudar outras pessoas a não beber antes de dirigir. A proposta de inclusão da Operação Lei Seca foi fundamental na minha vida – disse Márcio, de 45 anos.

Programa Jovem Aprendiz

Na Cedae, quase mil pessoas já deram seus primeiros passos na vida profissional como estagiários do programa Jovem Aprendiz, em parceria com o programa Futuro Agora, do RioSolidario. Desde 2009, quando o projeto teve início, 968 adolescentes já passaram pela companhia.

Atualmente, há 196 aprendizes na Cedae, sendo 14 pessoas com deficiência intelectual. Estes jovens atuam na função de auxiliar administrativo nas áreas de administração, comercial, contabilidade, financeira, informática e jurídica.

Para os jovens com deficiência intelectual, o programa é uma oportunidade de superar não apenas a dificuldade de ingressar no mercado de trabalho, mas também o preconceito.

– Já procurava estágio e emprego antes. Hoje, estou há quase um ano na Cedae. Já aprendi a trabalhar com todo o sistema de planilhas e acho que posso usar a experiência para outros trabalhos semelhantes no futuro – contou César Rubens Ribeiro, de 24 anos.

Ações na Faetec

Quem conhece Elizabeth Canejo, de 55 anos, não imagina a vida agitada que ela tem. A articuladora da Divisão de Diversidade e Inclusão (Divin) da Faetec trabalha capacitando professores da rede de ensino para atuar com pessoas com deficiência, além de dar suporte aos estudantes que precisam de auxílio para se adaptar às aulas. Elizabeth, que é deficiente visual, também é nadadora e surfa nas horas vagas.

– Orientamos os professores a atender alunos com necessidades educacionais especiais ou com deficiência. Tenho orgulho de trabalhar na Divin. Tive outros empregos, mas sabemos que é difícil a inserção no mercado de trabalho –

Curso de auxiliar de cozinha

Única escola profissionalizante gratuita voltada para pessoas com deficiência intelectual no Estado, a Favo de Mel passou a oferecer, neste mês, o curso de Cumim (auxiliar de cozinha), com aulas práticas. O principal objetivo da unidade da Faetec  é formar profissionais capacitados para atender e servir refeições e bebidas a clientes em bares, restaurantes, clubes e eventos, além de cuidar de toda a organização das mesas e utensílios.

As aulas, que têm 14 participantes, acontecem no restaurante da Escola de Hotelaria, na unidade da Faetec de Quintino, na Zona Norte do Rio. Com a atividade prática, as transformações acontecem não apenas nos estudantes, mas também em seus familiares.

– É muito gratificante que a Faetec disponibilize um curso que possibilita aos alunos com deficiência intelectual entrar no mercado de trabalho – disse o presidente da Faetec, Tande Vieira.

Para o aluno Vinícius Cesar Ferreira, de 23 anos, o apoio da família para que fizesse o curso foi importante.

– Estou aprendendo tudo o que preciso para trabalhar como garçom. Já peguei a minha Carteira de Trabalho e estou procurando emprego em um restaurante – afirmou Vinícius.

O professor Alex Fontaina destaca que é necessário inserir os alunos no mercado de trabalho e, dessa forma, aumentar a autoestima de cada um.

– O interessante no curso é tornar o estudante o mais independente possível – ressaltou o professor.

Texto: Julia de Brito / Carolina Vasconcellos

Fotos: Felipe Corrêa / Carlos Magno / Rogério Santana