Curta-metragem de terror foi produzido por jovens do projeto Casa Futuro Agora, do RioSolidario

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“No começo, não achei que as coisas iam pra frente. Era só algo para o curso. Hoje, as pessoas me cumprimentam na rua. Foi a primeira coisa concreta que eu fiz na vida. Estou muito feliz, eu fiz um filme.” O relato é da moradora do Morro São João, na Zona Norte, Erika Fernandes, uma das integrantes do projeto Casas Futuro Agora, e  envolvida na produção do filme Ofélia, que foi selecionado para participar do Festival Mate com Angu de Cinema Popular.

Uma caravana seguiu para assistir o curta-metragem Ofélia, um dos selecionados entre 210 filmes de todo o país, para participar do festival. A exibição foi na terça-feira (30/05), no Instituto Histórico de Duque de Caxias e contou com a presença de personagens do filme; estudantes do Ciep onde a produção foi gravada e alunos de outro curso de audiovisual da Maré, que funciona no Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva (CPOR).

O filme de terror foi criado pelos estudantes do projeto Casas Futuro Agora, iniciativa do RioSolidario, Ministério Público do Trabalho e Cedae. A ficção cinematográfica é inspirada na lenda urbana japonesa Hanako-san e conta a história de quatro alunos de um colégio que decidem investigar o desaparecimento de uma aluna, que teria ficado aprisionada no banheiro da escola. Eles usam o “jogo do copo” e acabam abrindo um portal, que dá passagem à jovem Ofélia. A partir daí, situações estranhas acontecem no colégio e pessoas começam a desaparecer…

 A elaboração dos filmes integra o escopo de aprendizado do curso profissionalizante e seria exibido em uma mostra de cinema apenas das Casas Futuro Agora. No entanto, cinco apresentaram potencial competitivo e foram enviados para o festival. A curadoria do evento, através de critérios técnicos, selecionou Ofélia.

– Assistir ao filme no festival  e acompanhar a emoção dos jovens foi uma experiência muito enriquecedora. O objetivo do curso é, também, proporcionar o desenvolvimento do pensamento crítico, do diálogo, do registro sobre identidade e cultura e do desenvolvimento da criatividade e expressão artística – destacou a coordenadora do projeto do RioSolidario, Luiza Teixeira.

Christian Jerônimo, que interpretou o personagem Rafael, mal se conteve de alegria ao assistir seu filme sendo exibido em um festival:

– Foi incrível. Eu gostei muito. Não tenho palavras para descrever como foi o momento e o que senti – explicou, ainda emocionado, o jovem.

 

PRODUÇÃO DO FILME

Os jovens levaram o desafio a sério e deram ar de produção cinematográfica profissional ao trabalho. Muitas reuniões, discussões, prazos apertados e muito comprometimento. A equipe era formada por dez alunos do curso, mas, no total, cerca de 20 pessoas participaram de todo o processo, inclusive, figurantes. Para Christian Jerônimo o processo foi uma importante oportunidade para o seu desenvolvimento pessoal e profissional:

– Participar do curso e produzir o filme foi uma grande experiência. Aprendi muito. Não acreditei quando fiquei sabendo que participaria de um festival. Os cursos da Casa Futuro Agora mudaram muita coisa na minha vida: na profissional, me ajudou a conseguir um emprego. Como pessoa, me mostrou que posso sonhar e que devo correr atrás dos meus sonhos – destacou Christian, que também fez os cursos de inglês e empreendedorismo.

A estudante Erika Fernandes, 20 anos, estava decidida a aparecer no filme. Apesar de conseguir interpretar a personagem “Bia”, uma das desaparecdidasno filme, ela não pensou que a obra cinematográfica apresentasse resultados fora da sala do curso:

– Eu pulei de alegria quando fiquei sabendo do festival. Hoje, as pessoas já me reconhecem aqui no São João. Minha mãe ficou orgulhosa e mandou o filme para nossa família lá em Pernambuco. O projeto me deu mais esperança para o futuro. Decidi fazer faculdade e já estou no pré-vestibular – enfatizou Érika.

 

PROJETO CASAS FUTURO AGORA

Mais de 1,5 mil alunos de comunidades carentes do Rio de Janeiro já se formaram nos quatro cursos profissionalizantes gratuitos oferecidos pelas Casas Futuro Agora, que também contam com acesso liberado à internet. São oferecidos cursos de informática, inglês, poesia falada e cineclubismo e produção audiovisual.

Com o objetivo de investir na educação como o principal passo para a transformação, a iniciativa acontece em 12 polos, incluindo no Degase, sendo voltada para o público entre 12 e 17 anos, em situação de risco e vulnerabilidade social.

 A Casa Futuro Agora é um espaço de conhecimentos e preparação de jovens para o mundo do trabalho. A iniciativa é financiada com recursos oriundos de acordo entre a Cedae e o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ), em ação trabalhista ajuizada pela instituição contra a companhia.

Texto: Gabriela Hilário

Fotos: André Gomes de Melo