Realizado no João Caetano, o encontro #VemProFuturoAgora apresentou as ações do projeto, que oferece cursos gratuitos a meninos e meninas de 12 comunidades do Rio

Evento_CasaFuturoAgora

Mais de 500 jovens de comunidades do Rio lotaram o Teatro João Caetano, no Centro, para o evento #VemProFuturoAgora, nesta quarta-feira (05/10). Recheado de emoção e alegria, o encontro apresentou os resultados do programa Casa Futuro Agora, uma parceria entre RioSolidario, Cedae e Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ).

Desde abril, o projeto atua em 12 espaços espalhados por comunidades do Rio, que oferecem cursos gratuitos e focados na preparação para o mercado de trabalho de meninos e meninas entre 12 e 17 anos, em situação de risco e vulnerabilidade social.

– Foi um dia muito emocionante, pois vimos a concretização do sonho de dar oportunidades para estes jovens. É possível fazer e transformar. Mais de mil meninos e meninas já foram capacitados nos quatro cursos que oferecemos, e com muita qualidade, o que é o mais importante – disse Maria Lucia Horta Jardim, presidente do RioSolidario.

As unidades contam com aulas de inglês, informática, audiovisual e poesia falada, além de acesso liberado à internet. A meta é que 12.600 jovens passem pelo projeto até o fim de 2017.

Os jovens foram os protagonistas do encontro, que teve como mestre de cerimônia a cantora Nega Gizza. A primeira apresentação foi dos alunos do curso “Versos de Liberdade”, oferecido pela Casa Poema, da atriz Elisa Lucinda. O objetivo das aulas é fortalecer e melhorar o relacionamento dos adolescentes por meio da poesia.

Juntos aos professores Elisa Lucinda, Marcelo Demarchi, Nando Rodrigues e Geovana Pires, os alunos das unidades Manguariba, Urucânia, Gardênia Azul e Novo Degase Ilha fizeram um grande recital de poesias, que contou também com músicas da dupla de MCs Juninho e Teteus.

Alunos da unidade dos Prazeres também subiram ao palco para falar sobre o todo o processo de produção, gravação e edição do filme “Em Risco”, apresentado aos presentes. A inspiração do curta foi o deslizamento de terra que aconteceu na comunidade em 2010. As oficinas de produção audiovisual e cineclubismo, promovidas pela Cidadela, estimulam a interação com a realidade e a cultura dos jovens, com a produção de curtas nas próprias comunidades.

A apresentação do curso de informática contou as histórias de uma ex-aluna da Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh), que conquistou uma melhor qualificação profissional depois de formada, e de uma aluna da unidade da Casa Futuro Agora de Cordovil, que já concluiu os primeiros módulos do curso. A Redeh desenvolve diferentes cursos nas casas, em parceria com Intel e Cisco.

O teatro das turmas de inglês encerrou o espetáculo preparado pelos jovens. Dezoito meninos e meninas encenaram de forma descontraída o que já aprenderam nas aulas. Nos esquetes, foram mostradas situações comuns aos turistas que chegam ao Rio de Janeiro. A Sequoia Fundation é responsável pelo curso de inglês EnglishWorks, que junta aulas presenciais e a distância.

O evento teve ainda a participação do youtuber Felipe Neto, que contou a sua história e como ganha dinheiro com a internet. E o grupo de passinho Imperadores da Dança encerrou o encontro com muita música e alegria.

Transformando vidas

Flávia Moura, de 17 anos, perdeu uma oportunidade como Jovem Aprendiz, por não ter curso de informática, há dois meses. Hoje, ela cursa informática e inglês na Casa Futuro Agora do São João e comemora a oportunidade de trabalho na Cedae.

– O projeto é uma oportunidade para muitos jovens, pois abre portas em várias áreas. Eu já estou no caminho – ressaltou Flávia, que assistiu à apresentação e se encantou com os MCs.

Daniel de Aguiar, de 12 anos, passa as manhãs na unidade de Urucânia. Ele, que faz informática, inglês e poesia, fez parte de duas apresentações no evento #VemProFuturoAgora.

– Achei o curso de poesia bom, porque a gente perde um pouco a vergonha. Agora, posso dizer que sou menos envergonhado – relatou Daniel.

Sobre o programa Casa Futuro Agora 

Com aulas de inglês, informática, audiovisual e poesia falada, além de acesso liberado à internet, as 12 unidades do projeto Casa Futuro Agora são: Campinho, Cordovil, Gardênia Azul, Manguariba, Sepetiba, Urucânia, Morro dos Prazeres, São João, São Carlos, e Novo Degase Ilha, Bangu e Penha.

A iniciativa é financiada com recursos oriundos de acordo entre a Cedae e o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ), em ação trabalhista ajuizada pela instituição contra a companhia.

Os seis cursos de informática oferecidos têm como proposta principal a inserção dos jovens no mercado de trabalho. O principal deles é a “Oficina Mundo Digital: Primeiros Passos”, que traz uma introdução às ferramentas básicas de informática. Há também aulas dos módulos: “Tecnologia e Comunidade” (apresentação dos softwares básicos de escritório) e “Tecnologia no Trabalho” (softwares com foco no mercado), em parceria com a Intel Aprender; IT Essentials (funcionalidades dos componentes de hardware e software) e CCNA (administração de redes), em parceria com a Cisco; e Modelagem em 3D (criação para games).

As Casas Futuro Agora oferecem também curso de inglês EnglishWorks, que utiliza recursos digitais para facilitar o aprendizado dos alunos. O curso tem carga horária de 80 horas por semestre divididas em 40 horas presenciais e mais 40 horas de atividades online. Além disso, possui dois níveis, sendo um básico e outro mais avançado.  O material didático é disponibilizado no Moodle, software de aprendizado online, possibilitando aos alunos a opção de estudar tanto em casa offline, quanto na sala de aula de forma interativa. Cada semestre é dividido em dois módulos, todos com certificação. O Módulo 1 conta com oito aulas presenciais e oito aulas online, e o Módulo 2 conta com 12 aulas presenciais e 12 aulas online. Cada aula, tanto presencial quanto online, tem a carga horária de duas horas. Nas aulas, os alunos ainda têm a oportunidade de conversar ao vivo, pela internet, com voluntários estrangeiros.

O curso “Versos de Liberdade”, da Casa Poema, oferecido pela atriz, poetiza, cantora e jornalista Elisa Lucinda, tem como objetivo capacitar os adolescentes atendidos a utilizarem a linguagem de forma eficaz através de poesia. A atividade tem 18 horas distribuídas em encontros presenciais de três horas, duas vezes por semana (seis aulas em três semanas). As poesias escolhidas para as oficinas fazem com que os alunos reflitam sobre educação, raça, gênero e outros recortes sobre a questão social brasileira. Os textos estimulam ainda o debate onde cada participante terá a oportunidade de expor o seu conhecimento.

O objetivo das atividades, oferecidas pela Cidadela, é proporcionar ao público o contato com filmes brasileiros e colaborar com o desenvolvimento do pensamento crítico, do diálogo, do registro sobre identidade e cultura e do desenvolvimento da criatividade e expressão artística. As oficinas do “Cinemear – Produção Audiovisual” contam com 48 horas, distribuídas em 16 encontros, de três horas cada, duas vezes por semana, ao longo de dois meses. O curso é dividido em cinco módulos: o roteiro e a montagem; a direção, o roteiro e a montagem; o som, o roteiro e a montagem; a direção de fotografia, o roteiro e a montagem; a produção, o roteiro e a montagem. Já o “Cinemear – Cineclubismo” busca capacitar os participantes a criar e gerenciar eventos de exibição de filmes, com foco na difusão não comercial das obras. A ideia é que os jovens elejam filmes e temas de rodas de conversa, definam perfis de público para as sessões e façam uso dos equipamentos técnicos de projeção disponibilizados pelo projeto. O curso conta com 40 horas, distribuídas em quatro encontros presenciais de três horas cada, uma vez por semana, durante um mês, seguidas de atividades cineclubistas mensais, com três horas de duração.

Confira o making of do evento:

Texto: Gabriela Murno

Fotos: André Gomes de Melo