Embaixadores da Alegria desfila no Sábado das Campeãs. Já o bloco “Senta Que eu Empurro” percorre as ruas do Catete, na sexta-feira

Embaixadores 233

Antes das seis agremiações mais bem colocadas do Grupo Especial entrarem na avenida para o Desfile das Campeãs, no sábado (13/02), a Embaixadores da Alegria, primeira escola de samba do mundo formada por pessoas com deficiência, promete levar emoção para as arquibancadas da Marquês de Sapucaí.

Comemorando dez anos de fundação e nove de desfile na avenida do samba, a escola vai desfilar o enredo “Música é vida, com Embaixadores na Avenida”. Um dos criadores, Paul Davies conta que viu a agremiação crescer ao longo de sua história. No sábado, serão 1.700 componentes, sendo 170 ritmistas na bateria.

– No início, éramos focados nas pessoas com deficiência física. Atualmente, temos pessoas com diversos tipos de deficiência, grande parte tem alguma deficiência intelectual – relata Paul, lembrando que no primeiro desfile foram apenas 800 interessados.

– No primeiro ano, contamos com apenas cinco ou seis associações, mas de lá para cá, falamos com quase 80. Na semana antes do carnaval, muitas costumam entrar em contato. E temos uma fila de espera para a escola ter o dobro do tamanho. Mas fechamos as vagas em outubro, pois temos 52 minutos para desfilar, não podemos encher a escola. Temos que respeitar as limitações de cada um – diz ele.

A ideia de criar a Embaixadores da Alegria surgiu depois que uma hérnia de disco impediu Paul de participar do Desfile das Campeãs, em 2005. Segundo ele, o episódio mostrou que as pessoas com deficiência não tinham o espaço merecido para desfilar no carnaval.

Em 2012, a escola de samba quase fechou as portas, por conta do fim do patrocínio de uma empresa. Hoje, a Embaixadores vive de doações, de patrocínios para as camisas e das feijoadas que faz antes do carnaval, quando aproveita também para ensaiar.

– Fazemos fantasias para os destaques, os três casais de mestre-sala e porta-bandeira, rainha de bateria, comissão de frente e passista. Os demais componentes são divididos em sete alas, que vêm com camisas coloridas contando o enredo – explica Paul, que é o responsável pelo estudo do enredo e o desenho das blusas e fantasias. O samba-enredo é criado por um grupo de compositores.

– Temos um carnavalesco britânico – brinca ele.

O próximo passo, diz Paul, é conseguir patrocínios para viabilizar a criação de uma escola de samba, no formato da Embaixadores da Alegria, na Grã-Bretanha, já em abril.

“Senta Que Eu Empurro”

Já no esquenta do carnaval, o bloco “Senta Que Eu Empurro”, formado por pessoas com deficiência, desfila na sexta-feira (05/02), no Catete. O bloco, que espera reunir duas mil pessoas, tem como objetivo dar visibilidade, integrar e socializar as pessoas com deficiência de forma divertida e descontraída.

– Nosso objetivo é promover a alegria e a autoestima dessas pessoas – ressalta Ana Cláudia Monteiro, uma das organizadoras do “Senta Que Eu Empurro”.

Criado em 2008, por um grupo de pessoas com deficiência que gostam de carnaval, o bloco se concentra às 17h, na Rua Artur Bernardes, em frente ao número 26, no Catete. A saída está marcada para às 20h30.

Texto: Gabriela Murno

Fotos: Divulgação