De olho nas Paralimpíadas 2016, Rio investe em autonomia para a pessoa com deficiência

Atletas Parapan

Pedro Paulo Neves conhece bem a definição da palavra superação. Nascido em Niterói, ele teve paralisia cerebral por falta de oxigenação no cérebro durante o parto. A complicação também o deixou com uma atrofia no braço direito. Mas tudo isso não o impediu de correr atrás do sonho de ser atleta. Em 1998, ingressou na Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef) e começou a treinar. Hoje, aos 37 anos, Pedro Neves acaba de conquistar a medalha de ouro no salto em distância da categoria T38, no Parapan-Americano 2015, em Toronto.

Histórias como a do Pedro mostram que com oportunidade e autonomia é possível vencer os grandes desafios da vida. No próximo dia 21, é celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data chama a atenção para a importância do investimento em políticas públicas para as pessoas com deficiência e para a construção de uma sociedade mais inclusiva. No Estado do Rio de Janeiro, onde há 16 milhões de habitantes, 24,4% apresentam algum tipo de deficiência, ou seja, cerca de 3,9 milhões de pessoas, segundo dados do Censo 2010.

– Precisamos conscientizar todos, governos, instituições, população, e mobilizar esforços pela promoção da autonomia da pessoa com deficiência. Só assim teremos a sociedade que queremos, mais justa e inclusiva – ressalta a primeira-dama do Estado e presidente do RioSolidario, Maria Lucia Horta Jardim, que desenvolve o programa Autonomia Sim, voltado para as pessoas com deficiência.

O resultado conquistado pelo Brasil nos Jogos Paran-Americanos é exemplo de como o investimento vale a pena. Com 257 medalhas (109 de ouro, 74 de prata e 74 de bronze), a equipe brasileira superou – e muito – as expectativas e teve o melhor desempenho da história no evento. Para se ter ideia, o segundo lugar no quadro geral de medalhas, o Canadá, dono da casa, não atingiu nem a metade das medalhas de ouro dos brasileiros, com apenas 50. Agora, a meta de alcançar o quinto lugar no quadro geral dos Jogos Paralímpicos 2016, no Rio de Janeiro, está cada vez mais perto.

– Os investimentos nos paratletas brasileiros aumentaram bastante, principalmente por conta da realização dos jogos no Brasil. Foi um ciclo com um apoio importante da União, através do Ministério dos Esportes, e de estados como Rio de Janeiro e São Paulo – diz o vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado.

Segundo o governador Luiz Fernando Pezão, o Estado está incentivando empresas que invistam em projetos relacionados aos Jogos Olímpicos.

– O governo está fazendo um grande esforço para cumprir com suas obrigações nesse momento de crise, mas não deixamos de olhar para quem precisa. Vamos aplicar recursos significativos para apoiar atletas e instituições ligadas ao esporte, especialmente aos paratletas. Essa é uma área que tem nos enchido de orgulho – garante o governador.

Medalhista de ouro no Futebol de 7, Wanderson Oliveira, atleta da Andef, ressalta que o apoio da torcida será muito importante nos Jogos Paralímpicos do ano que vem.

– Eu vi uma crescente na modalidade, mas também em outros esportes Paralímpicos. Depois da repercussão do Parapan de Toronto, as pessoas nos param na rua, dizem que somos o orgulho do país e que vão acompanhar os Jogos de 2016. A expectativa é alta e tenho certeza que vamos contar com o apoio dos brasileiros – declara Wanderson.

Já Pedro Neves sonha com uma nova medalha no ano que vem.

– Hoje, somos uma potência, o país a ser batido na América Latina. Com mais incentivo e mais apoio, podemos chegar em 2016 e fazer até melhor do que no Parapan – diz o alteta, que é recordista brasileiro e sul-americano e também compete nos 100m e 200m rasos.

Texto: Gabriela Murno

Fotos: Bruno Itan