Eventos celebraram a importância do espaço para o resgate e fortalecimento das mulheres vítimas de violência doméstica

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Dez anos de funcionamento, 690 mulheres atendidas e 1.116 crianças acompanhando suas mães. Os números impressionam, mas não são capazes de traduzir as verdadeiras conquistas da Casa Abrigo Lar da Mulher, do RioSolidario, que completou, em março,  uma década de  atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica.   O mês de comemoração na Casa Abrigou encerrou com um evento de integração entre as residentes e os funcionários, na última quinta-feira (30/03).

Criado em 2007, o espaço tem como objetivo amparar, proteger e fortalecer essas mulheres, oferecendo assistência psicológica, social e jurídica a elas e seus filhos. Na Casa Abrigo, as residentes conhecem os seus direitos, ampliam a consciência sobre relacionamentos afetivos saudáveis para retomarem suas vidas mais fortalecidas.

Entre palestras, atividades físicas e dia de beleza ao longo de março, a última comemoração foi um dia de muitas homenagens. Sob o som da música Maria, Maria, os  filhos das residentes fizeram uma performance dedicada às mães.

A diretora da unidade também foi uma das homenageadas. À frente da instituição por oito anos, Sueli Ferreira, fez um balanço de sua gestão e destacou o empenho dos funcionários no atendimento às mulheres e seus filhos:

– Mensurar a importância da Casa Abrigo em números é impossível, pois estamos falando de vidas.  São 690 mulheres e seus filhos que estão vivos. Mas, não podemos afirmar que eles estariam vivos se não tivessem  chegado ao Lar da Mulher. É um lugar muito especial.  Quando as residentes entram aqui, nós passamos a ser a família delas, pois damos apoio, proteção e segurança. Para isso, preciso muito da equipe – reconheceu a diretora.

Para a coordenadora do Projeto do RioSolidario, Roberta Rosa, a Casa Abrigo conseguiu chegar a uma década de funcionamento, por causa do comprometimento e envolvimento dos funcionários:

– Essa celebração é de agradecimento.  Percebi no discurso dos funcionários da Casa o reconhecimento mútuo da colaboração.  Foi mais do que a comemoração de dez anos da Casa, foi a celebração da vitória pessoal deles. Independente do cargo, cada um sabe sua importância  dentro do processo de fortalecimento das mulheres que são atendidas – afirmou a coordenadora.

Dois funcionários viram a casa iniciar suas atividades e acompanharam a história de luta e superação de muitas mulheres que passaram pelo espaço do RioSolidario:  Moisés dos Santos  e Marta Pereira trabalham na Casa Abrigo desde sua inauguração. Para Martha, trabalhar com o resgate da auto-estima da mulher é uma realização:

–  Quando a Casa inaugurou eu estava entre as selecionadas como educadora noturna. Me formei como assistente social e, em 2009, consegui uma vaga. Amo trabalhar com o fortalecimento da mulher, ajudar a proporcionar o resgate e a autonomia delas.  Até já encontrei, por acaso, ex-residentes lá fora.  É gratificante ver que muitas conseguiram, de fato, romper o ciclo da violência  – destacou a assistente social.

Ao longo de dez anos, muitas histórias de superação foram contadas. Uma delas é a de M., que fugiu das agressões do marido ao descobrir que estava grávida do segundo filho.  Acompanhada do filho mais velho, M. ficou abrigada no Lar da Mulher até conseguir se fortalecer e construir uma nova vida:

– Sou muito grata ao Lar da Mulher do RioSolidario. Se a felicidade pudesse ser medida de zero a dez, diria que estou no nove – destacou.

 

Sobre a Casa Abrigo

O Lar da Mulher funciona 24 horas, em local sigiloso no Rio de Janeiro, e serve como residência temporária, com capacidade para abrigar 60 pessoas, entre mulheres e crianças. Ações, como grupos de reflexão, atividades lúdicas e relaxamento ajudam essas mulheres a reconstruírem seus laços familiares e de amizade, em geral dilacerados após se afastarem de casa por medo do agressor.

Como ingressar na Casa Abrigo

É necessário o contato anterior com os locais que trabalham com a Rede de Proteção à Mulher, são eles: Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAM), Centro Especializado no Atendimento à Mulher (CEAM), Núcleo de Atendimento à Mulher (NIAM), Plantão Judiciário (CEJUVIDA).

É possível obter o endereço desses locais através do Disk 180 ou através das Delegacias; principalmente das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAM).

 

Texto: Gabriela Hilário

Fotos: Divulgação