Espaço oferece atendimentos psicológico e jurídico a vítimas de violência

RJ 01-02-2017. Casa Abrigo Lar da Mulher.André Gomes de Melo

 

A Casa Abrigo Lar da Mulher – espaço administrado pelo RioSolidario que oferece assistências social, psicológica e jurídica para vítimas de violência doméstica – comemora 11 anos de funcionamento com a marca de 1.980 vidas preservadas. O número reflete o trabalho realizado por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais como psicólogos, pedagogos, assistentes e educadores sociais, que cotidianamente auxiliam mulheres de diversas idades a romperem com o ciclo de violência a que estavam submetidas e reconstruírem suas vidas.

A tarefa de cuidar de quem perdeu, muitas vezes, a esperança, acontece em lugar sigiloso no Rio de Janeiro. O local, que recebe temporariamente mulheres em risco iminente de morte e seus filhos, conta com 15 quartos de acomodação, salas de atividades e berçário, dispostos em uma área de 1.300 metros quadrados.
– Mesmo com todo o cuidado e atenção que são desprendidos por parte da equipe técnica, não é fácil estar num abrigo. Estas mulheres se veem obrigadas a deixar seus lares, como única alternativa de segurança para si mesma e seus filhos. É muito difícil deixar tudo pra trás quando você é a vítima. Não existe acolhimento melhor do que aquele que pode ser realizado no âmbito da própria família, contudo, em grande parte das vezes, este tipo de acolhimento pode não ser seguro – explicou a diretora da Casa, Sueli Ferreira.


Recomeço

É no salão de beleza que a autoestima das mulheres abrigadas começa a tomar forma, em muitos casos. Nele, elas podem se maquiar, fazer as unhas e cuidar do cabelo.

Além do salão, o Lar da Mulher tem uma programação planejada de atividades. Grupos de atendimento e oficinas ajudam estas vítimas de violência doméstica a refletirem sobre suas trajetórias e a se prepararem para saírem do lar provisório.

– – Há muitas subjetividades dentro do processo de atendimento destas mulheres É difícil criar um programa objetivo dentro deste processo, pois, apesar da violência doméstica ser o tema central e comum à todas,  cada mulher irá apresentar a sua própria história,  sendo  valorizada de forma individual. Em muitos casos, essa mulher precisa retomar os laços afetivos com os seus próprios filhos. É preciso lembrar que toda a família sofre violência. Seja ela física, psicológica,  moral, ou material  – contou a coordenadora do Lar da Mulher, Roberta Rosa.

As crianças que chegam ao abrigo participam de atividades livres e direcionadas, com acompanhamento pedagógico e a atenção de uma dinamizadora social, e, quando em idade escolar, são reinseridas na rede pública mais próxima para que não percam o ano letivo.

Denúncia

A denúncia pode ser realizada em uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) ou em qualquer outra delegacia mais próxima. A Rede de Proteção conta principalmente com o trabalho desenvolvido pelos Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceams) e pela Central Judiciária de Abrigamento. São esses dois órgãos que realizam o direcionamento das mulheres e seus filhos menores ao abrigo, após atendimento especializado e reconhecimento da necessidade da família.

 

Texto: Julia de Brito

Foto: André Gomes de Melo e Bruno Itan