RioSolidario identificou aumento de doações de pessoas que pediram itens para serem doados ao invés de  presentes pessoais

 

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Uma das definições da palavra doar em um dicionário é “entregar(-se) a uma obra, causa, pessoa etc.; dedicar(-se)”. São pessoas com este perfil que buscam o RioSolidario. Pessoas que acreditam e contribuem para a transformação social. Entre janeiro e novembro deste ano, a instituição recebeu 7.449 doações dos mais variados itens, desde alimentos a fraldas descartáveis. Porém, o perfil de um doador específico se sobressaiu: pessoas que celebram festas pessoais e, ao invés de presentes, pedem donativos.

Uma delas foi o empresário Diogo Muniz da Rocha, que comemorou o aniversário em novembro com uma roda de samba para cerca de 90 pessoas entre amigos e familiares. No convite, um pedido especial: os participantes deveriam levar alimentos não perecíveis. No total, foram arrecadados quase 300Kg de alimentos na festa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

– Tive esta ideia no ano passado e repeti agora. O objetivo é ajudar ao próximo, as pessoas que precisam. Nunca passei necessidade na minha vida, minha mãe sempre me deu o que eu precisava, mas sei que não ter comida em casa é muito triste. Alguns convidados se surpreenderam com o pedido, mas também adoraram a ideia – destacou o proprietário da DM Life – Equipamentos Hospitalares.

Uma das convidadas foi a estudante Mariana Caldas, que elogiou a iniciativa do amigo:

– Achei a ideia sensacional por amparar outras pessoas. A festa estava ótima e com este ato de amor, ficou melhor ainda – enfatizou  a estudante.

Para a coordenadora do Programa de Doações do RioSolidario, Mônica Miranda, a iniciativa é mais uma opção para impactar na transformação social:

– É mais uma possibilidade de ajudar quem precisa. Algumas pessoas querem, mas não sabem como fazer ou não tem disponibilidade, mas tem o desejo de contribuir. Então, esta é uma boa alternativa: ao invés de pedir um presente, por exemplo, no aniversário,  na festa de fim de ano ou outra comemoração, pode optar por um donativo – incentivou.

Como solidariedade não tem idade, o pequeno Samuel  de um ano também contribuiu para ajudar o próximo, mesmo ainda sem entender a grandiosidade do seu ato. Ele mora na Alemanha e celebrou o aniversário no Rio de Janeiro junto com os familiares brasileiros.

O avô, Antônio Corso, ajudou na organização da festa que teve o tema do filme infantil  “Rio”. Os convidados foram informados do caráter solidário da comemoração:

– Nosso objetivo era presentar crianças carentes.  Muitos elogiaram a iniciativa, embora alguns tenham ignorado o pedido. Ajudar ao próximo é um dever de todos, pois desenvolve o senso humanitário, a solidariedade, faz muito bem à alma e à autoestima – ensinou.

Segundo o avô de Samuel, já é uma tradição na família este ato de responsabilidade social:

– Nossa família, meus irmãos e sobrinhos, já têm a cultura de ajudar os mais necessitados. Acreditamos ser de suma importância poder estender às pessoas mais carentes com alguma ajuda, ao invés de, acomodamente, achar que é um problema só do estado.

Entrega dos donativos

As doações do pequeno Samuel Sans Corso foram entregues a algumas instituições que atendem crianças, entre elas, a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef):

– Iniciativas como esta são de extrema importância, pois vivemos em um mundo muito individualista. Muitas das famílias das crianças que atendemos não têm condições de comprar presentes para os filhos – pontuou Adriana Mendes,  coordenadora do setor de Saúde da Andef.

Já parte dos donativos do empresário Diogo da Rocha foram disponibilizados para o programa Plantão Social do RioSolidario, que atende famílias também em vulnerabilidade social. O restante ainda será dividido para algumas das 1.000 instituições cadastradas. Todos os itens recebidos e entregues são contabilizados e catalogados pelo Programa de Doações.

 Texto: Gabriela Hilário

Fotos: André Gomes de Melo e divulgação pessoal dos entrevistados