Favorita à medalha de ouro, a equipe venceu o Marrocos de virada, com a arena cheia e o apoio da torcida. Seleção Brasileira também começou vencendo no Futebol de 7

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A Seleção Brasileira de Futebol de 5, favorita à medalha de ouro, estreou com vitória na Paralimpíada, nesta sexta-feira (09/09). Com a arena cheia, a equipe venceu o Marrocos de virada por 3 a 1, com gols de Ricardinho, Jefinho e Donato.

A médica Mariana Machado, de 32 anos, era uma das torcedoras mais animadas já no início do jogo. Ela conheceu a modalidade na televisão e foi assistir à partida, acompanhada do marido e dos sogros.

– Vi na TV e fiquei encantada com a habilidade que os jogadores têm. Estou adorando estar aqui – relatou Mariana.

Os gritos da torcida, que em alguns momentos podem atrapalhar, já que os jogadores de linha são deficientes visuais e precisam ouvir as instruções da equipe técnica e o guizo da bola, empurraram o time, que começou a partida atrás no placar. No Futebol de 5, apenas o goleiro não é deficiente visual.

– Quando a gente levou o gol, todos aplaudiram. Isso nos deu força. Jogar em casa é maravilhoso. Em uma competição tão importante como a Paralimpíada, é muito bom ter o apoio da torcida. A gente espera que o apoio aumente, conforme vamos passando de fase. Vamos em busca de mais um ouro – disse Jefinho, após a partida.

– O nosso jogo precisa de silêncio, principalmente, na hora que a gente sai em contra-ataque. No ataque do adversário, o barulho também dificulta que a gente escute a bola. Mas isso é normal, com o tempo, os torcedores vão se acostumando ao nosso jogo e vão começar a fazer mais silêncio – completou o paratleta.

Para o craque do Brasil, o camisa 10 Ricardinho, a presença da torcida marca o crescimento do interesse do público pela modalidade:

– A nossa Seleção e os esportes paralímpicos trazem muitos resultados, então, é bom que as pessoas possam acompanhar de perto. Houve um tempo em que a gente não saía nem na TV fechada, e agora a gente está lá. É uma evolução.

Deficiente visual, Carlos Ferrari, de 40 anos, estava na arena acompanhando cada jogada da equipe brasileira, junto à sua esposa.

– Sigo o movimento paralímpico há muito tempo e é uma redenção sentir que a arena está lotada – destacou Carlos.

Oito seleções disputam o torneio masculino do esporte, que estreou nos Jogos Paralímpicos de Atenas 2004. As partidas acontecem no Parque Olímpico da Barra, Zona Oeste. No domingo, às 16h, a equipe brasileira enfrenta a Turquia, dando sequência à caminhada em busca do quarto ouro paralímpico.

Modalidade exclusiva para cegos, o Futebol de 5 é disputado em uma quadra de futsal adaptada, com grama sintética e barreiras nas laterais. As regras gerais são as mesmas do futebol de salão. Cada time é formado por cinco jogadores, e só o goleiro tem visão. No entanto, a modalidade deve ser praticada em um ambiente silencioso, e a bola possui guizos, necessários à orientação dos jogadores na quadra.

Há um guia, chamado de “chamador”, que fica atrás do gol adversário orientando o ataque do seu time. O goleiro tem a responsabilidade de guiar a sua defesa. Já as indicações no terço central da quadra são dadas pelo técnico da equipe.

Professor representa o Brasil nos Jogos

O dia a dia de sala de aula, apito no pescoço e de trabalho no ginásio, tão comum para Paulo Cabral, ficou de lado. Professor de Educação Física da rede estadual há 23 anos, ele entrou no campo de futebol do Estádio de Deodoro para realizar o sonho de representar o Brasil na 15ª edição dos Jogos Paralímpicos, como técnico da seleção de Futebol de 7, modalidade praticada por atletas com paralisia cerebral. No primeiro desafio da competição, o Brasil ganhou da Grã-Bretanha por 2 a 1, nesta quinta-feira (08/09).

O docente, que leciona no Colégio Estadual Professor Fernando Antônio Raja Gabaglia, em Campo Grande, começou a trabalhar com o paradesporto em 1983, quando participou dos Primeiros Jogos Brasileiros de Paralisia Cerebral como estagiário em um projeto social com crianças especiais.

Em 2012, Paulo Cabral foi convidado pela Associação Nacional de Desporto para  Deficiente (Ande) para ser treinador da Seleção de Futebol de 7, categoria Sub-20, e participou dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens. Com a vitória da equipe, surgiu a oportunidade de trabalhar como preparador físico da seleção principal. Em 2015, veio o convite para o grande desafio: dirigir a equipe principal em Toronto, no Canadá, no Parapan. O time conquistou a medalha de ouro.

– Qualquer medalha paralímpica seria uma conquista importante, mas se vier o ouro, vai ser melhor ainda. Ainda mais que o Brasil não tem essa medalha – afirmou o técnico. Os próximos desafios da seleção brasileira na competição são Irlanda e a Ucrânia, atual vice-campeã mundial.

Com praticamente as mesmas regras da FIFA para o futebol convencional, os jogadores do Futebol de 7 pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral. O melhor resultado da equipe brasileira foi a segunda colocação na Paralimpíada de Londres, em 2012.

Texto: Gabriela Murno / Fernanda Alves

Fotos: Carlos Magno / Clarice Castro