Alunas exibem trabalhos preparados na oficina de pintura em tecido (Crédito: Nelson Perez)

Alunas exibem trabalhos preparados na oficina de pintura em tecido (Crédito: Nelson Perez)

Entre uma pincelada e outra, o pensamento de Jacqueline Machado vai longe. Ela trabalha há cerca de cinco anos com artesanato e participou pela primeira vez de um curso sobre essa prática graças à série de oficinas promovida em comunidades do Rio de Janeiro por meio de parceria entre o RioSolidario e a Caçula, empresa atacadista e distribuidora que atua, dentre outros segmentos, com desenho, pintura e artesanato. A pintura em tecido, temática da aula desta quarta-feira (06), no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, é apenas uma das técnicas utilizadas pela moça, que também pinta em outras superfícies, como vidro e MDF.

Jacqueline (à esquerda) pratica artesanato há 5 anos (Crédito: Nelson Perez)

Jacqueline (à esquerda) pratica artesanato há 5 anos (Crédito: Nelson Perez)

“Acho muito importante esse tipo de ação para trazer um desenvolvimento para minha arte. Promover esses cursos é essencial, porque nós precisamos disso para aprimorar nosso trabalho. Quero fazer do artesanato a minha profissão, meu ganha-pão no dia a dia”, conta a moça, que foi despertada pela atividade e, pesquisando na Internet, começou a trazer para seus trabalhos a inspiração que, segundo ela, vem da vontade de crescer com o artesanato.

A busca de Jacqueline foi, um dia, a mesma de Alda Soares, que já tem contato com técnicas de artesanato há 20 anos e há oito anos é professora de diversas técnicas de pintura. Hoje, refletindo sobre sua caminhada, a professora da oficina de pintura em tecido conta que transmitir as técnicas vai muito além de ensinar.

Alda destaca importância de estimular a capacidade de aprender novas técnicas (Crédito: Nelson Perez)

Alda destaca importância de estimular a capacidade de aprender novas técnicas (Crédito: Nelson Perez)

“O trabalho de capacitação é importante porque muitas pessoas acham que não são capazes e descobrem na prática sua capacidade. Conto para elas que, quando fui contratada como professora, eu só pintava em tecido. O trabalho me desafiou a pintar em outras superfícies. Na época, fiquei meio receosa, mas aceitei o desafio. Hoje pinto em louça, madeira, vidro… abri um leque além do que eu sabia fazer, então passo minha experiência para elas saberem que podem aprender novas técnicas”, conta.

Consciente da responsabilidade de estimular não apenas a aprendizagem, mas também a consciência sobre a capacidade de adquirir conhecimentos em novas técnicas, Alda relembra as experiências em sala de aula que lhe trouxeram uma nova visão sobre o ensino.

“Acho essencial darmos ânimo de vida para as pessoas. O artesanato constrói essas pontes. Já tive muitos depoimentos nas minhas aulas de pessoas desanimadas, com depressão, que encontraram no artesanato uma forma de enfrentar suas dificuldades. Elas dizem ‘você me ajudou muito por meio do artesanato’. Meu foco é ensinar para que a pessoa tenha a firmeza de que vai conseguir. É importante ter alguém para te dar um empurrãozinho, um direcionamento.”