Casa Abrigo do RioSolidario cuida e fortalece mulheres nessa condição

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No dia em que a Lei Maria da Penha completa 11 anos, o Dossiê Mulher 2017, relatório produzido com base em 2016, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), é lançado e, em sua décima segunda edição, mostra que boa parte dos crimes contra as mulheres foram cometidos por pessoas com algum grau de intimidade ou proximidade com a vítima, ou seja, são companheiros e ex-companheiros, familiares, amigos, conhecidos ou vizinhos.  Ao todo, foram cometidos 44.693 delitos de lesão corporal dolosa contra as mulheres.

O secretário de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, Átila A. Nunes, destaca o abrigo como uma opção eficaz na luta da violência contra a mulher.

– O trabalho no abrigo é fundamental.  As mulheres que vão para abrigos, como a Casa Abrigo Lar da Mulher, se sentem realmente acolhidas pelos profissionais, após um período em que foram vítimas e reféns da violência. Elas conseguem se separar daquele ciclo de violência em que vivem e iniciar uma nova vida”, diz o secretário de Direitos Humanos, Átila A. Nunes.

A Casa Abrigo Lar da Mulher, do governo do estado e gerida pelo RioSolidario, foi criada em 2007, com o objetivo de amparar, proteger e fortalecer essas mulheres.  Lá, são oferecidos assistência psicológica, social, hospitalar e jurídica a elas e seus filhos. A abrigada conhece os seus direitos, amplia a consciência sobre relacionamentos afetivos abusivos e retomam suas vidas.

Com números dessa grandeza, para muitas mulheres, o abrigo é a única alternativa.

Foi o caso de Lívia Fontes de França, de 35 anos, que esteve, após sofrer agressões do marido,  na Casa Abrigo Lar da Mulher, por seis meses, acompanhada da filha de seis anos, que tem um distúrbio neurológico raro, chamado de Síndrome de Moebius.

– Os 180 dias que passei na Casa Abrigo Lar da Mulher foi muito necessário para eu cortar o ciclo da violência doméstica.  No contexto em que eu vivi, o abrigamento foi como se eu tivesse chegado no portão da liberdade. Além disso me ajudaram no tratamento da doença da milha filha.  Fui tratada com muito respeito”, concluiu Lívia.

O Lar da Mulher funciona 24 horas, em local sigiloso no Rio de Janeiro, como residência temporária pelo tempo médio de quatro meses, com capacidade para abrigar 60 pessoas, entre mulheres e crianças.  Desde sua inauguração, o abrigo já acolheu 1.855 pessoas, sendo 713 mulheres e 1.142 crianças.

 

Texto:  Beth Brusco

Foto:  André Gomes de Melo